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Um grande incêndio no Norte do Paraguai formou o que os meteorologistas denominam de Pirocumulonimbus, uma grande nuvem de desenvolvimento vertical que atinge quilômetros de altura e é formada pelo intenso calor gerado pelo fogo na vegetação. Foi o que mostraram as imagens dos canais visível, de onda curta e infravermelho do satélite GOES-16 na tarde de hoje sobre o Extremo Norte do Paraguai. A temperatura no brilho do satélite no topo das nuvens atingia valores de 40ºC negativos ou menos. As imagens foram divulgadas pelo Cooperative Institute for Meteorological Satellite Studies (CIMSS) da Universidade de Wisconsin (EUA).

O Norte do Paraguai e áreas próximas estão sob intenso calor. A temperatura na tarde desta quarta-feira na estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Corumbá (MS) chegou a 39,2ºC. Em Ponta Porã (MS), os termômetros indicaram 34,8ºC.

No Paraguai, a máxima de hoje no aeroporto da capital Assunção foi de 30ºC, entretanto mais ao Norte do país o calor é muito mais intenso. O calor será excepcional nesta quinta-feira no Paraguai, o que deve piorar muito a situação dos incêndios, com máximas de 42ºC a 44ºC.

As nuvens do tipo Pirocumulonimbus ou Cumulonimbus flammagenitus são o pavor dos bombeiros que combatem incêndios florestais de grandes proporções como no Oeste dos Estados Unidos e na Austrália. O fogo é de tamanha intensidade que gera uma quantidade enorme de energia que ascende na atmosfera e forma nuvens do tipo CbFg, que alcançam altitudes de até dez a quinze mil metros de altitude. A nuvem, então, passa a provocar vento forte e raios. Cria, assim, o seu próprio clima.

Uma grande nuvem de pirocúmulos (ou nuvem de fogo) explode no Carr Fire perto de Redding, Califórnia, em 27 de julho de 2018. Dois bombeiros morreram e mais de 100 casas foram queimadas quando as chamas do vento atingiram a região. JOSH EDELSON/AF/METSUL METEOROLOGIA

Quando há a presença de um Cumulonimbus gerado por fogo, no caso o Pirocumulonimbus, as condições do incêndio se agravam muito porque sob a base da nuvem, onde ocorre o incêndio, os ventos acabam sendo muito fortes a ponto de ser possível a formação de tornados de fogo.

Ademais, a nuvens produz raios secos, ou seja, descargas desacompanhadas de chuva, como numa nuvem vulcânica. Estas condições extremas acabam dificultando ainda mais os esforços dos bombeiros e tornado o cenário extremamente perigoso na área em que ocorrem as chamas.

“Quando eu primeiro ouvi o termo tempestade de fogo pensei que era um exagero, mas de jeito nenhum é uma hipérbole. São tempestades geradas e alimentadas por calor e levou algum tempo para que eu compreendesse isso”, escreveu o meteorologista Dakota Smith da Universidade do Colorado em suas redes sociais.